Lambe, lambe sem parar dos felinos 2


Share

Ancking_044905_Todo apaixonado por gatos sabe que esses peludos adoram se lamber por horas. Apesar de ser uma atitude natural, os tutores devem ficar atentos, pois mesmo que seja um hábito higiênico e instintivo, pode passar dos limites e se transformar em compulsão. É preciso observá-lo, pois ele pode estar com alopecia psicogênica felina (APF), doença bastante comum que normalmente é desencadeada por estresse dos pets e pode ser classificada como comportamento obsessivo-compulsivo.

A APF geralmente ocorre como forma de o gato lidar com estresse, ansiedade e frustrações. A doença o torna mais irritado, antissocial, a ponto de sair com frequência do seu local de descanso com a tendencia de se isolar, ficando cada vez mais sozinho.

Alguns fatores ambientais podem contribuir com o surgimento desse comportamento doentio, como a introdução de novos membros na família (outros animais ou humanos), saída de alguma pessoa que habitava a casa, alterações de móveis de lugar, mudança territoriais, pouca atenção, isolamento ou falta de atividades e distração. Assim, uma vez estressado ou entediado, o gato procura algo para se acalmar, e é aí que surge o perigo: ele começa a se lamber de forma compulsiva.

Sintomas e meios de combater a APF

É importante saber diferenciar se a lambedura é por higiene – o que é normal no comportamento felino – ou se é compulsiva, que se caracteriza pela perda de tufos de peles, apresentando falhas principalmente nos membros posteriores (coxas), abdome, virilha e costas. O excesso de lambedura também aumenta a ingestão de pelos, o que pode provocar vômitos mais frequentes, além da criação de bolas de pelos, ocasionando a obstrução intestinal ( aqui falo mais sobre o assunto). Além disso, é necessário perceber se há alguma mudança comportamental que comprometa sua qualidade de vida fazendo com que se torne um animal triste e apático.

Procurar um veterinário é a primeira e a melhor medida para descartar qualquer outra dermatológica, como alergias, sarnas, dermatites, presença de parasitas ou infecções. Ele está apto a fazer testes para diagnóstico, como raspagem da pele, cultura de biopsia, reconhecimento de dermatite (sempre feito após descartar qualquer outra possibilidade de enfermidade que o gato possa ter). O especialista pode, até mesmo, receitar medicamentos para diminuir gradativamente a ansiedade do pet.

De toda forma, uma das primeiras atitudes a ser tomadas é investigar a causa do estresse e , quando for possível, tentar eliminar as alterações que ocorreram e manter a rotina do felino mais próxima do que era antes, quando ele não demonstrava nenhum sintoma. Lembre-se: gatos gostam de rotina.

Para minimizar a APF, o tutor pode estimular o bichano a brincar e se entreter, com brinquedos e enriquecimento ambiental, deve incentivá-lo a desbravar prateleiras para que posso se exercitar, além de, claro, mudar sua postura, criando brincadeiras para se divertir junto com o felino. Promover atividades lúdicas, elaborar túneis, locais para subir, descer e se esconder são distrações benéficas que podem trazer resultados positivos. Criatividade nessas situações é uma grande aliada para entreter felinos e evitar que eles fiquem se lambendo. Muitas vezes, o custo dessas mudanças é bem baixo. Brinquedinhos de pet shop, até mesmo simples caixas de papelão podem ajudar.

Evitar lambedura desviando a boca do gato no momento da ação apenas solucionará o problema momentaneamente. Provavelmente, em seguida, ele irá para outro local, mais afastado, e continuará se lambendo. O conhecido colar elizabetano também não é 100% eficaz. O acessório pode até evitar a lambedura, mas o pet continuará estressado, mas o pet continuará estressado, e ainda existe a possibilidade de ficar mais tenso com o incômodo em seu pescoço. Por isso, o uso desse apetrecho é recomendado apenas em curtos períodos, desde que indicado por um especialista qualificado e de confiança.

Agora, se mesmo com a proximidade e oferta de carinho o gato ainda continuar lambendo com frequência anormal, é imprescindível procurar um veterinário para iniciar um tratamento de maneira correta e sem riscos.

Prevenindo a lambedura excessiva

Por mais independente que um gato seja, ele também precisa de seu carinho e atenção. Quando trazemos um amigo de quatro patas para viver conosco, temos de ter consciência da grande responsabilidade que isso implica, e, com isso, devemos reservar um tempo em nossa agenda para brincar e construir uma relação de carinho e confiança com ele.

♣Por José Roberto Souza Ribeiro, Graduado em Medicina veterinário www.health4pet.com.br
Pulo do Gato, 87


Deixe uma resposta

2 pensamentos em “Lambe, lambe sem parar dos felinos